1987

Na ültima glaciação, 35.000 anos a.c. - no periodo do Paleolitico Superior, o homem, para poder sobreviver face à adversidade do meio-ambiente, utilizava diversos materiais e matérias primas, que serviam de utensilios para a caça, a pesca e a defesa do seu habitat. Certo dia, por razões ainda não completamente esclarecidas, agarrou na faca, nas lanças, nas pontas e, ao invés de se embrenhar na floresta à procura de alimento, acocorou-se à frente de um pedaço de argila e calcário. Mirou-o e tocou-lhe. Vibrou-lhe algumas pancadas. E, pancada a pancada foi formando uma imagem. De qualquer forma... esculpiu. Mais tarde verificou, que com a fuligem do carväo de madeira e certas gorduras animais, podia obter o negro; e que o ocre castanho e vermelho resultavam de pigmentos minerais naturais. Com estes primeiros corantes propôs-se a representar e perpetuar o mundo em que vivia. Nas paredes e tectos das cavernas traçou e cobriu linhas, pontos, sinais, figuras geométricas e animais. Dc qualquer forma... pintou. E das cavernas dos montes Pirinéus às grutas cantábricas, a arte rupestre evoluiu, desenvolveu-se e prolongou-se... durante vinte mil anos. Hoje, quase no segundo milénio d.c., a ante pré-histónica pertence já a um tempo antepassado, visitada e "revivida" nos museus, nos livros ou nos próprios lugares transformados em centros turísticos. No entanto ainda há hoje quem procure' extrair-lhe os primeiros ensinamentos, buscando-lhe e bebendo-lhe a magia duma sabedoria ancestral. A presente exposição é um exemplo. António Quintas socorreu-se das reminiscências dos ideais primitivos, desvendou-lhes um estilo próprio e conjugou as formas e imagens pré-históricas aos efluentes do nosso quotidiano doméstico, aos resquicios metálicos duma sociedade caóticamente organizada, nos esquemas obrigatórios duma coacção subtil, programada e consentida. Em suma... duma civilização. Desde a pintura acrílica e colagens sobre tela e ardósia - a escultura - figuração longinea "giacomettiana'', construida a base de poliester, barro e ferro, acrescentada e completada com tubos, molas, rodas dentadas, limas, carburadores, segmentos, aparelhos de medição ou válvulas - é evidente quer o trabalho de investigação e experimentação das matérias utilizadas, quer a sua combinação plástica, de modo a traduzir uma atmosfera anterior, deliberadamente fossilizada, propositadamente actual. Quintas afastou-se assim dos parâmetros tradicionais do academismo fácilmente aceitável ou do déjà vu cristalizado em fórmulas regionais, e arriscou uma proposta plástica não convencional, assumindo uma diferença coerente e uma filosofia própria. É a sua prirneira exposição individual, na primeira exposição de pintura e escultura desta galeria.

Henrique Vaz Duarte

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1987

Nao vos vou falar da fantasia aliciante. do célebre escritor brasileiro Erico Veríssimo, apesar da coisa não estar fora de.propósito. Mas, por conveniência, ordenemos um pouco as nossas ideias. É consolador verificar que um dos nossos mais jovens aderentes (refiro-me a Aveiro/Arte) tomou bem à letra as condições estatutárias que preconizam a procura como objecto primordial e obrigatório. De facto. a frescura vetusta (passe a contradição) destas esculturas longamente estudadas, devem compensar, em satisfação interiorior, quem as concebeu, a despeito do suor, da aturada insistência no dominio dos materiais, e do muitíssimo trabalho dispendido. 0 nosso companheiro Quintas inicou a surtida de regresso `a « aurora do mundo» sem o auxìlio da máquina de H.G. Wells, ou da aparelhagem hábilmente engendrada pela arte do já citado escritor Erico Veríssimo. Galgou o nosso tempo, atravessou o imenso ancoradouro histórico e perdeu-se no oceano de silêncio e negrume da recuada e ainda muito enigmática pré-história. Que haveria nesse tempo? Quem-no sabe exactamente? Ninguém. Até nós chegaram apenas algumas pistas (poucas) através do testemunho das pedras talhadas em ponta de lança, das pinturas rupestres, de algumas peças de cerâmica rudimentar (ainda só no neolítico) de pequenas esculturas em pedra (a Vénus de Willendorf e a Dama do Capuz) e terracota e pouco, ou nada mais. Mas existir humanidade, independentemente do seu estádio cultural, pressupôe sempre a manifestaçao artística, ainda que raspada com o sangue das próprias unhas, ainda que gravada durante muitas luas no osso, na madeira, no calcário, no granito, na própria natureza basáltica. A obtenção dos metais ainda incipiente: Primeiro, o cobre e só depois o ferro. Tudo batido a força braçal.0 Quintas quis viver a experiência em plenitude. E o resultado não podia deixar de ser sur-preendente. As suas esculturas, confrontão-nos com uma realidade que já foi. Desprende-se delas um vigor, uma verdade, um sabor «a já ter sido» que nos seduz. Ou que talvez só seduza a quem a sensibilidade se atreva. Quintas, quanto a mim, já deixou de prometer. O artista que dentro dele efervesce, desta feita, já cumpriu. Esta nossa rota pelo precário vislumbre de vida consciente, percorrida através da escultura do nosso jovem artista emocionou-nos, tanto estéticamente, quanto pela construçao de um mundo de conexões que nos acorrenta a esse mundo remoto. É que, ao fim e ao cabo, somos os Iongínquos mas legítimos herdeiros desse arremedo de cultura. E o confronto não deixa de ser também doloroso pois impõe-nos a separação já só pó e cinza, afinal toda átomos irreconhecíveis diluídos no espaço-tempo.

Vasco Branco

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1988

O Quintas, como todo o artista que se preza, possui um espírito sedento e irrequieto. Já provou à sociedade quando da sua mostra de uma visão muito particular da sua leitura da pré-histôria que volveu em esculturas onde o hoje e o ontem se davam as mãos com invulgar harmonia. Ora essa sede tornou-o num incansivel estudioso de civilizações engolidas há muito pela voracidade do tempo com a ajuda gananciosa de aluns conquistadores profissionais. A propósito, recordemos que Picasso iniciou a sua «fase negra» inspirado pelo estudo exaustivo das mascaras africanas. «Les Demoiselles d'Avignon» seria um começo que já trazia no ventre o fermento da gestaçao do Cubismo. O nosso Quintas propôe-se, agora, apresentar-nos a sua panorâmica sobre as civilizaçôes pré-columbianas, aliás artisticamente férteis nas artes e que se estenderam pelo México, América Central e costas sul-americanas do Oceano Pacffico. Esta arte aborígene teve os seus focos mais importantes no México e no Perú. Lembro as culturas Tolteca, Azteca, Maya, e Inca. Nesta terra de adoradores do Sol e da Lua, tão bárbaramente destruída pela cobiça do ouro, ficou o testemunho de uma arte que se estendia à arquitectura (templos e palácios em forma de tronco de pirâmide), escultura, pinturas murais, cerâmica, tecidos de algodão e penas e que serão - as fontes de inspiração do nosso jovem e talentoso artista. Mas esperemos, sobretudo, que as magnfícas estilizações da cerâmica calchaqui, por exemplo, Ihe tenha servido como motor de arranque para este tão dificil, quão louvável, corrume.

Vasco Branco

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1988

Com efeito, a obra de arte é um reflexo do homem (verlficamo-lo constantemente); é uma projecção, a impressão visível sob a forma de uma imagem; apenas viva pelos seus caracteres e pela expressão dos seus caracteres; existe apenas para satistazer ss seus desejos, obsessões e necessidades. É humano, não só porque foi inventada pelo homem, mas porque apenas existe pela marca do homem. - RENÉ HUYGHE Ao espectador de ontem não se colocavam problemas complexos: a pintura ou a escultura representavam sempre qualquer coisa; ao público de hoje, mais entregue a si mesmo, talvez, mas também mais alertado, compete saber que Ihe assiste o direito - e mesmo o dever - de exigir mais de uma pintura ou de uma escultura, ainda que tal exigência Ihe traga, em principio, alguma perplexidade. Se, no passado, a fundamental aventura da arte foi, inequivocamente, o encontro com o realismo e o seu aperfeiçoamento, a arte contemporânea exige outro tipo de empenhamento uma leitura> diferente - é esta leitura diferente, disponivel e despreconceituosa, que os trabalhos do Quintas nos pedem. Quintas é um artista inquieto. Não com significação de perturbado, o que induziria em erro indesculpável, mas sim (e na medida em que assume convictamente a experimentação - e até as contradições que Ihe são próprias - com determinação e um ritmo imparáveis) no sentido de insatisfeito - traduzindo assim um anseio permanente de atingir o melhor. Escultor por vocação, domina mais fácilmente a matéria e os volumes, do que a bidimensionalidade das telas. Artista irrequieto e espontâneo - mas consequente -, dotado de boas mãos e de grande capacidade criativa, Quintas tem-se mostrado, também, um estudioso do fenómeno estético e das formas de expressão artística das civilizações antigas. Talvez por isso - e naturalmente - Quintas se apresente mais como um criador de arte interessado pela investigação plástica do que pela investigação realista. A sua obra, na generalidade, é bem o reflexo disso mesmo, isto é, dela ressalta que a investigacäo plástica domina literalmente a investigaçAo realista. Dispondo de um potencial de capacidades - ou, meihor dizendo, de um caudal de potencialidades -, Quintas, a par de outros artistas cuja autenticidade não pode ser posta em causa, é um exemplo de como, por cada elemento introduzido nas suas criaçôes, aì se imprime uma qualidade expressiva, fácilmente identificável, da sua personalidade, ao rnesmo tempo que se valoriza a qualidade global de cada obra. E se, porventura, alguém pensar que o seu labor se apresenta, por vezes, algo desordenado , não será justo esquecerem-se de que esta actividade, enfrentada como Quintas a enfrenta - ou seja, decididamente -, implica riscos próprios, consideráveis - ao contrário de outras formas de arte mais académicas e convencionais, redundantes -, mas também surpresa e prazer.

Artur Fino

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1992

0 AVEIRO - SEMANARIO DE CULTURA E INTERVENçA0 05/03/92

Mitos, Realidades ou Controvérsias

A PINTURA DE QUINTAS

Pouco habitual no nosso meio, é o facto de este artista ter dialogado com a informação especializada, sobre esta nova fase da sua criação artística. Ao vê-la, no seu atelier, ocorre-nos as palavras que sobre Quintas ainda há pouco escrevemos: É um artista super dotado e a ter muita coisa rara consigo: as grandes ideias, a grande capacidade de as realizar, urn grande sentido estético e um grande sentido crítico, não faltando aquilo que muitos chamaram de "grande atrevimento" quando avança coisas novas (e nunca perdeu até hoje a noção do ridículo), nele uma constante pouco habitual entre nós! E preciso estar muito atento a este Quintas, porque nem ele sabe muito bem o que tem consigo! As "coisas" chegam-lhe e vibram-no em ritmos irnpressionantes, limitando-nos nós a ouvir as ressonâncias da composicao dos seus sentidos. Leilor, visite connosco esta exposicão, e contemple a beleza significante das obras expostas. Parafraseando O Dr Mário da Rocha: : "E é esta enorme força anímica que fomenta a criação artística do Quintas! Perante ela e apesar da sua juventude, prevemos caminhos, mas não lhes conseguimos descortinar horizontes. O Futuro é o seu tempo... Amanhã muitos verão o Hoje que ele já é!..."

Carbaty

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1998

Uma Poética dos Objectos

A Pintura de Quintas

Tàpies criou no século XX o paradigma de uma imaginaçâo da matéria e de uma poética dos objectos, que nos dã como uma nova imagem da realidade e da sua pobreza essencial uma expressão contrastada e totalizante do homem do nosso tempo. A matéria, os objectos que representou ou integrou na sua pintura ou na sua escultura adquirem urne expressão autónoma desde os anos 60 em encenações entre o humor e o drama; são metáforas de um humano "contaminado" pelo peso e a precaridade da matéria, mas tal como ela capaz de uma transfiguração, de um "élan" para o absoluto, que a cruz, sinal emblemático, simboliza. O humano na obra de Tàpies é sugerido, evocado pelo jogo dramático e simbólico das formas, das cores, dos espaços, dos materiais, pela sua poética e não através da representação explícita da figura humana. Este processo metafórico enriquece o conteúdo simbólico e fundamenta a linguagem plástica da obra do artista, que ne notabilizou como um dos expoentes e nivel mundial do informalismo. No caso da actual exposição de Quintas está presente uma poética dos objectos neste caso uma referência explicita à figura humana, que os acompanha ao modo de uma quase legenda, esclarecendo o conteúdo metafórico da imagem. A sua figura estilizada percorre composições que a memória de Tàpies e de algumas das suas conhecidas obras como Escada de 1974 ou Sete Cadeiras parece inspirar. Na harmonia de brancos, ocres e coras de terra, no despojamento dos espaços, inscrevem-se os sinais de uma realidade entrevista pelo sonho. A presença repetida da figura humana em situações sempre diversas, jogando com escalas que nos situam num plano onírico, introduz uma componente narrativa neste universo de códigos evidentemente plásticos e onde a representação esquemática mais não faz do que acentuar a sedução do tratamento informal das matérias. .Jogando dentro dos limites do quadro. com a fragmentação do suporte. ou com planos reduzidos, que não têem as figuras dentro das suas fronteiras ou das fronteiras da composição, o pintor conduz-nos a uma reflexão sobre a própria expressão que está em causa, a pintura. De um modo mais alegórico e narrativo do que simbólico, explorando o valor irónico da figura humana em paralelo com uma representação de objectos do quotidiano que se transformam em sinais de uma pequena fantasmagoria. Quintas acrescenta a alguns artefactos contemporâneos, a cadeira e a sua falsa estabilidade num mundo oscilante, o telefone e a pseudo-comunicação a que se liga num espaço sem interlocutores, a questionação sobre o artefacto em foco neste caso, a própria pintura, próximo de realidade, dentro da realidade, fora desta, contexto frágil do luxo dos sentidos e da sua melancolia. Entre a liberdade, a irnpotência e a sedução que nos comunica, ouçamos a sua melodia simples marcando o compasso das horas e dos dias, onde o finito sugere um limiar branco e desconhecido, limiar das formas, limiar de nós próprios.

Maria João Fernandes

Crítica de arte e ensaísta

Membro da Associaçâo Internacional de criticos de Arte

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1999

Poder-se-la aclamar esta singela poética cromática numa só palavra: o sintetismo enquanto mensagem universal da arte. Cuidámos de analisar o pintor em trabalhos preteritos de firme valia cujo contributo de preponderãncia sintética e dual se tem vindo a manifestar como tendência multifacetada da sua arte. Desde 1996 que a sua obra congrega uma carga simbólica particularizada em que o impossivel irrompe surpreendendo a nossa sensibilidade fustigada pela vivência do quotidiano numa sintese harmoniosa. A carga profunda da sua mensagem ja acentuava uma procura desmedida pelo sintetismo que irrompia numa linguagem abstracta em que o informalismo e a riqueza da paleta pobre obrigava a uma procura permanente do pintor e do seu interlocutor. 0 dualismo permanente entre o aqui do nosso mundo e o além do nosso sentir irrompe na sua vida e na sua criação. Os elementos preponderantes dispersos em todos os trabaihos, eram a sua ãnsia de dualismo e sintese. A sua luta travada com tintas emotivas numa batalha pessoal e permanente pretendiarm sintetizar até ao rnais infimo grau a pureza das coisas na sua verdadeira essência. É essa a sua procura. Ali aparecia--nos a tristeza e a alegria, a luz e a ausència de luz, a matéria e a anti-matéria. Tudo isto visivel a partir de uma procura especulativa. O apuramento de elementos de selecção unificaram a sua obra numa marca quase aglutinante do elemento universal: a sua sintese. Este elemento longinquo e distante, base teleológica da sua criação e igualmente o ponto de partida. 0 circulo fechava-se e a figura perfeita irrompe: 0 Homem a procura da sua identidade irredutível. Esta marca esotérica e informal foi transposta para a sua obra por uma devoção ética obediente ao prazer e à alegria da procura. Em detrirnento do plano da superficie prevalecia a razão da forma texturada cujo forte pendor era dado com a simplicidade de pequenas nuances cromáticas. 0 fluido da cor suave foi complementado pelo relevo acidental firme composição equilibrada pelo peso da matéria. A pobreza da cor irrompe na sua riqueza do conjunto e a obra torna-se numa referência da linguagern estética. A obra de Quintas integrava em si a ética dos valores estéticos subjacentes à mensagem. Os seus quadros eram, como ainda hoje são, cenários activadores da contemplação humana; verdadeiros instrumentos pedagógicos, exibindo de forma hábil elementos pertubadores dos hábitos perceptivos do espectador, arrebatando-o para o seu interior e fazendo dele urn elemento participante numa realidade alternativa, oculta entre o quotidiano e a alienação. 0 apelo da chamada a sintese na unificacao dos conceitos da existência transportava o interlocutor para um estado de pureza e transcendéncia que o relegava à consiência cósmica do absoluto. A depuracao da linguagem aparece-nos em 1998 num estilo aparentemente rnais elaborado pela sua complexidade figurativa cuja expressão artistica era veiculada através de pinturas apreciáveis por almejarem, com elementos de referência comum, a repressão do efeito civilizacional na função selectiva de demarcação disciplinar, manifestando uma vocação aglutinadora dos vários elementos universais do espaço humano. Ainda em 1998 a preocupação do artista virou-se para o entendimento da Iógica estrutural de cada elemento: a referência antropológica pela colocação da figura humana, irradia a sua vocação funcional para o homem. Um paralelo de contrastes aparentes que convergiam e se completavam enquanto peças de representação figurativa dual. A articulação dos elementos de sintese básica proporcionavam uma complexa unidade psicológica que convidava o interlocutor numa pedagogia funcional a sua harmonização com objectos da sua experiência comum. Uma verdadeira termática reflexiva. As qualidades mais impressionantes daquela obra passararn então a residir especialmente em duas atitudes: ir ao encontro da beleza que emana o perfeccionismo plástico informal; por outro lado, saber sugerir, com sabedoria, o esóterismo misterioso, extravagante e imaginativo, com que sempre surpreende o interlocutor arrebatando-o para uma sintese harmoniosa de plena congregaçao. Já em 1996 nos tinha deixado os ensinamentos de coerència e do compromisso ético e estética ao apresentar nas sua obras os fundamentos de uma sintese dualista entre o rnundo real e o mundo metafisico. Quintas mostra-nos a alternância da continuidade. A sua obra mais recente, apresenta um aspecto diferenciado na continuidade da sua criação, promovendo uma reconciliação entre a sintese dualista mnifestada no aspecto humano e mecanicista e os elementos estruturalistas da articulação dos conceitos figurativos básicos e elementares. Esta ultima componente ressalta agora na sua obra como um dos principais elementos integrativos da linguagem estética usada peto pintor. Não se pode deixar de sentir nos seus trabalhos recentes o encanto do desenho afectado, trémulo e mal definido, incerto na sua abordagem cromática, em que cada vez menos Se revela como objecto apelativo e cada vez mais assume como um elemento de linguagem estética da sua obra. A atracção da sua franqueza intelectual, aparentemente desvanecida mas sobrernaneira empreendedora, permite-nos compreender o enlace da construção que veicula uma incessante mensagem de ingenuidade. São as relações causais dos vários elementos figurativos do plano que passam agora a dar-nos uma nova organização para a hermenêutica dos trabalhos. Esta nova linguagem é realçada por uma aparente pobreza da base, cuja textura já não resulta dos elementos plásticos preconizados e seriados pela plasticidade dos rnateriais, mas antes, pela riqueza da simplicidade da matéria de base. É a sua continua e assaz procura pela síntese que cada vez mais aparece nos trabaihos do pintor, com referência a uma pedagogia que agarra elementos comuns da vivência do interlocutor. Quintas chega assim a uma realidade humana terrível, indo ao extremo de procurar uma arte anarquizante, insatisfeita, muito peculiar e analítica, por vezes malévola pelo repisar da condição humana e que nos permite recriar Henri de Régnier nas suas palavras: "Vous connaissez I' âpre plaisir, (...) De lire de Ia vie en toute face humaine".

Rui Martins da Cunha

advogado e crítico de arte

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2000

1. El proceso creador sintiente-conceptual de Quntas

"A partir de Ia iridiscencia de origen Ia emocionalidad y la variabilidad asociativa se tornarian en eficacia innovadora, en Ia que consistiria Ia quinta esencia del pensamiento creador" (Secadas). A Quintas le mueve Ia faschiación por una idea o propósito de carácter critico, social o simplemente artistico, El artista ansia piasmar Ia celebracion del abandono, de Ia desesperanza y de Ia impotencia del ser humano como sujeto o como colectividad, al evocar los campos de concentracion nazis como si de muchedumbres solitarias se tratara, nos representa a conjuntos de personajes despegados, aislados y desolados por ci terror o el vacio. A Quintas Io inquieta a intriga de una solución plástica consonante con Ia temática que apunta en esta exposicion realmente desoladora de seres humanos, en desiertos desasosegante y desasidos de todo y del todo, Ello Io obliga al minimalismo técnico y expresivo, a usar el minima de trazados, el minimo de color, a ser posible, sólo blanco y gris, ci mInima de rasgos faciales a corporales en las figuras para comunicar una intensidad emotiva extrema o iImite: el gusto del silenclo. En esta serie Quintas intenta Ia plasmaciôn de una emociôn metafisica existencial: el ser humano como abandonado y arrojado en el mundo, hacinado con otros seres, se ye y siente solo Esto genera en el artista un estado intelectivo y emotivo persistente del ser desolado que se transmite, en vivo, heiado y desaiojado, al Iienzo produtiendo en el espectador eli mismo estado de desasosegante desesperanza viscero conceptual. El reto artistico creador: Ia técnica depurada minimalista de Quintas no ha de oscurecer ni disfrazar el espiritu sintiente del artista. La desnuda y transparenta viva. Y el espectador asi Ia percibe tal como el artista Ia ha sentido y expresado. La variedad de intereses de Quintas se maniflesta en variedad de técnicas, materiales y procedimientos proyectados en el mosaico, Ia escultura, el diseño, a pintura.. Ia vida misma. El pensamiento creador fluido y ágil, variante y original es Ia tecla que desencadena los procesos y producto originales del creador.

2. El producto creador acrisolado: una obra fascinante

En variadas series y tendencias a lo largo de 20 años Quintas deja impresa su marca singular, en Ia depuración clara y precisa de ideas, formas y procedimientos, en el equilibrio integrador y armonioso, con un toque definitivo de esencializacion simplificadora y eficacia comunicativa. La pintura existencial 2000 Quintas emplea técnicas distintas para cada serie o temática en cada exposición, siempre con un sello personal de depuracion ideofigural, de equilibrio emocional, de simplificacion metafisica. Este es el caso de Ia presente exposicion. Para mi "El grito del silencio", es Ia quinta esencia minimalista del ser y sentir, del trazo y del gesto, del color y Ia figura, que intenta Ilegar al vacio, a Ia nada existencial, El todo y Ia nada, con nada. La maxima expresion con el minimo de recursos plásticos. Y Dios creo el mundo y Ia nada de nada. Gracias!. Este es el trabajo de Quintas a lo largo de las dos ültimas décadas dedicadas a Ia creacion productiva. Camina seguro hacia Ia condensación emocional y figural en todo como Ia respuesta a Ia celebracion del abandono y vacio que todo ser precisa para acceder a las cumbres de Ia plenitud creadora. Se trata del autorretrato metafisico de un artista optimista contenido, consciente e inconscientemente esperanzado y desesperanzado al mismo tiempo ante el espectáculo "dantesco" de una civilizacion en decadencia radical?

3. El ambiente creador de ermitaño solitario en un mundo cargado de imãgenes

La era de Ia comunicación audiovisual incita al artista a buscar los elementos esenciales tanto plásticos como conceptuales en un marco televisivo inundado de detalies, sucesos y bits de informacion. El ambiente "afectivo" se caracteriza por Ia libertad interior creadora que se libera de las presiones sociales, de Ia opresion de las corrientes artisticas, de las imposiciones de los galeristas y los marchantes, de las exigencias del éxito cuando uno ha hecho una exposicion con gran atractivo social y comercial, obligándole a ser esclavo de un estilo, de Ia propia forma de pintar. Variar y cambiar o romper, segün as exigencias del tema, de los acontecimientos externos, de la misma obra de arte, respondendo siempre a un estado interior personal de carácter psicosocial del artista, este es el ambiente espiritual que se propane el artista, El espacio de soledad e intimidad del estudio de Quintas frente al dominlo sin limites del mar de Barra/Aveiro es solo compartido por un loro vistoso y listo, parlanchin y cosmopolita, pues es ciudadano del mundo televisivo que ye y escucha las 24 horas del dia. La apertura al mundo internacional por Ia television de; guerra, sangre, peleas, soledad multitudinaria, basura, sin sentido, babel, silencios y susurros obligan a Quintas a ponerle un orden de simplificacion formal y emotivo y de clausura psiquica, que no social.

4 - El ideario estético de Quintas: Ia autoconciencia creadora sociovital

Quintas es claramente consciente de haber conseguido en dos décadas de experimentacion plástica un aprendizaje artistico solido y una acomodacion optima a sus gustos, preferencias y valores para persegur una postura, afirmacion y estilo artistico personal propio. I ) - Ambiente humanista revoIucionario Su preocupàcion estética se iniciô en Ia época revolucionaria de los años 60, cuyo espIritu e irreverencia era propicio para un estado de inquietud saludable: a müsica, el diseño, Ia postura social en procura del saber y conocimento de Ia condicion humana... Fue Ia época de las flares, del amor y Ia amistad de un mundo activo en Ia busqueda de Ia libertad. 2) - Hacia Ia creación expresiva total Los poetas, músicos, artistas en general y revolucionarios comulgando juntos en Ia necesidad de modificar a sociedad caduca, castrense e hipócrita. "Fui músico, pinté, diseñé, escribi con un espiritu amateur, coherente con esa realidad". 1) - La esencia humanistico emotiva El 10 define asi con sus propias palabras "lo esencial es Ia luz y Ia emoción. Sin la luz no existiria el color, el volumen no serla perceptible y la emoción humana no seria revelada", "el hombre es el centro del universo". ,Te es fácil renunciar a Ia técnica artistica (buen saber hacer) para depurarte y revelarte en Ia luz de las cosas (como ser pensante) y traslucir tu emoción contenida (como ser sintiente)?. 2) - La purificación humínica "La luz y su ausencia es Ia definición de Ia realidad, Ia simplicidad y Ia union con los elementos universales estructurantes" Te sientes un humanista notorio o un profeta utopista? Te mueves a gusto entre lo accidental y lo universal constituyente? 3) - El existencialismo antropoartistico "El instante define nuestra condición de ser, define un espacio inmutable y único que asume un pasado que no vuelve". ,Has logrado captar en Ia instantánea Ia eterna forma emotiva? 4)- La búsqueda experimental con sentido Mi experimentalismo se basa en una procura constante de Ia verdad, de Ia esencia, del verbo" Has sido capaz de superar las formas naturales y estilos para encontrarte en Ia esencia de Ia palabra y Ia vida? 5) - La perfecciôn mágica "El exotismo del nümero 7 en su relaciôn con Ia creación universal es ci inicio y fin de Ia perfección". Es tu bandera el misterio sin Ilmites, Ia proporción matemática precisa o Ia fantasia exacta como definia Goethe a creatividad? 1)- EI cotidiano massmediático "Mi base de creación artIstica está asimilada a través del massmedia cotidiano. aceptando un presente que justifica el pasado y prepara el futuro" ,Eres un visionarlo profeta o estás atrapado en Ia cárcel massmediática? 6. Los arquetipos dferenciadores del creador Quntas CuáIes son las raíces justas y profundas que dan sentido al trabajo artístico de Ia persona creadora? CuáIes son los principios especiales que fundamentan Ia creación vital y personal del propio artista y ciudadano Quintas?. El apasionado sereno y controlado: a idea y reto que choca y subyuga El equlibrista integrador de lo psicosocial del yo y el mundo, de Ia Iógica y emociôn: al borde del abismo/vacIo sin miedos, seguro' consistente en si mismo, aunque el mundo se hunda y desmorone, as ruinas y cenizas halIarán incólume a Quintas?!. El metafisco smplificador: elimina o accidental (formal, colorista, material) para quedarse en Ia nada o en a casi nada critica. El explorador tranquilo: Ia incansable búsqueda con un propôsito útil y estético, a la vez. El ingeniero eficaz: el diseño original que funciona artistica e industrialmente con hipótesis y propuestas valiosas y eficaces, El artesano elaborador y perfecionista: a obra acabada y definitiva, válida siempre, sin Ia posibilidad de añadir ni quitar nada. El transcendental por Ia integración sabia de los valores éticos y estéticos, epistémicos y tecnico-pragmáticos. En Quintas, como ocurre en los creadores de verdad priman valores éticos que tienen que ver con el sentido critico social de transformación y mejora de la realidad insatisfactoria, deficitaria o pervertida. A ellos se une un fuerte impulso estético, que impulsa la busqueda de Ia belleza y Ia armonla en los estallidos caóticos de desestructuración, diversidad y desvario que es el mundo actual en crisis y cambios continuos. El valor teoréticoepistémco entraña Ia exhaustiva búsqueda lógica e imaginativa para encontrar soluciones buenas, brillantes y eficaces a viejos problemas, Se trata de la búsqueda de soluciones elegantes, verdaderas y auténticas. Quintas como creador auténtico aúne en su obra estos cuatro valores humanos espirituales, transpersonales éticos (bondad), estéticos (belleza), teoréticos (verdad) y técnicos (efcacia). La investigaciôn sobre Ia personalidad creadora atribuye a los grandes creadores que sobrevuelan por encima de los valores externos y materiales, económicos (dinero) y sociales (fama, prestigio, poder, éxito...) que tan ansiosa y apasionadamente buscan tantos falsos.

Dr. David de Prado Diez

• Consultor internacional en creatividad. Creador. Poeta visual. Escultor y diseñador. CrItico de arte.

• Director del Instituto Avanzado de Creatividad Aplicada Total, y de Creacción Integral e Innovación SL.

• Promotor de Encuentros Creadores y del Master de Creatividad e Innovación , dentro del proyecto Ciudades y Ciudadania Creadoras.

• Autor de 30 libros de creatividad, innovación y desarrollo psicoeducativo Professor na Universidade de Santiago de Compostela.

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2001

Toma o pintor a humanidade como modelo e avança para o âmago da sua definiçâo. Gente sabida, gente anônima. As referências têm um norte de bûssola e apontam sempre o tempo da massificada mobilidade. É nele que cresce a avidez e se apagam os vestigios da mâo. As imagens, despem-se até ao minimo significante. À distância, readquirem força e objectividade bastante para representar o real. O processo, jà usado por Miguel Angelo na construçâo da monumentalidade, também partia de esquiços acabados para o vago sentido das partes, se apreendidas de perto. Miguel no andaime, pintava apenas nacos abstractos da emoçâo! Quintas, cujo percurso sinaliza uma permanente preocupaçào antropocêntrica, regressa à exemplaridade dos discursos que fizeram época e delimitaram territórios. À pop e às metamorfoses do quotidiano; à màgica transformaçâo do banal em polo merecedor de cuidada atençâo. Nesta pintura, a liberdade oscila entre parâmetros previamente definidos. Deixam de ser importantes a cor, a textura ou o gesto na tarefa lúdica de pintar o essencial. Às vezes avultam as repetiçôes e o quadro torna--se rítmico. O mesmo rosto dialoga connosco e interage com outro aparentemente distante, num isolamento de segundo plano. O afecto tem aqui recorte de ave trepadora e assume um pape! relevante na composição. Paradigma ou diferença? Pólo de ruptura na monotonia dos registos? Mera referência que particulariza este Universo e o prende à humaníssima escala daquilo que se reconhece como nosso, como próprio? Pensamos que sâo válidas todas as propostas de leitura, tão lato é este campo sóbrio de cor e rico de contrastes no quai a luz, devassando periferias, cerca de mistério as opacidades que prevalecem. Para acentuar enigmas? Parte-se do difuso para o concreto e do complexo para uma aparente simplificaçâo. As "conquistas" hão-de medir-se pela gnose das manchas dispostas como em mapas topográficos. São cúmplices de luz e sombras, na tecitura dos roteiros para um virtual entendimento. O observador é, assim, convidado a divagar pelas superfícies diferentemente habitadas e a acolher diversos estimulos sensoriais de acordo com a maior ou menor aproximação às telas expostas. Indubitávelmente actual, a pintura de Quintas estriba-se nas novas tecnologias para redefinir uma postura que continua a priveligiar a figuraçâo moderna sem abdicar das suas mais profundas convicçôes, Continuamos a ter, nas suas personagens, múltiplos padrões para uma sociedade que se mostra e se esconde na placidez irónica com que o!ha para o infinito, sem ver, sem ouvir e sem falar. Intencionalmente neutros, os trabalhos desta fase de Quintas, exigem do observador uma participaçâo activa. Só depois se acendem para reportar crenças e espelhar a vida.

Edgardo Xavier

Critico de Arte

Membro da Associaçâo Internacional de criticos de Arte (AICA - Portuguesa)

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2005

Os pontos de vista podem ser vários para o observador da obra de um artista que faz o elo de ligação entre memórias arquivadas, o passado distante e um futuro que ultrapassa a tecnologia. Cenários coloridos, personagens instigantes e muita textura tem como suporte a experiência adquirida em 20 anos de trabalho e surgem num ambiente onde é possIvel imaginar o impossível. irreverente, inquieto, passional, corajoso, sensível, curioso; A. Quintas, criador autêntico, irnprime sobre a tela as suas ideias de forma extremamente pessoal deixando nítida a sua percepção aguçada de mundo e o preciosismo dos detalhes. Dono de um estilo próprio, é difícil conhecer A. Quintas sem remetê-lo à sua obra ou vice - versa.

Moema Mattos Dra

. Psicóloga I Psicopedagoga

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2008

QUINTAS, EL PINTOR RE-CREADOR

Todo artista auténtico crea y re-crea sin parar su mundo interior, trasmutando el mundo que le rodea a escala global, pasando Ia cultura de siempre por el túrmix de su imaginacion y sus instrumentos léxicos. En el caso de Quintas su trituradora fantástica pasa por el diseño y Ia publicidad, Ia cancion y Ia representación gestual, Ia poetica y Ia narrativa. De todo este bagaje creador echa mano el artista con un gran dominio de los mecanismos expresivos pictoricos. Un bravo ejercicio de coherencia y renovación plástica, actualizadora de los clásicos con un guino de ironIa y crItica de los acontecimientos mundiales. La mirada. El pincel transparentes y limpios. Transportas al caballete siglos de arte consagrada. En su estructura compositiva desguazas formas y figuras. Las traduces al siglo de las vanguardias con-fundidas. lronIa. Precision. Supresion. Perfeccion. ArmonIas. Convirtiéndote con tu oficio y genio genuino en Vermeer, Picasso o Warhol, Quintas, plasmas tu mundo poetico narrativo hondo y claro de hedonicos Boscos con sana e insana ilusión ilusa: Saña y señas. Destruccion constructiva. FantasIa sin limite: 12 en 12 cuadros, como doce apostoles de Ia metamorfosis. Belleza incondicional abierta a nuevos rumbos. Creando y pintando utopias poeticas sin fin. Quintas del sordo y desgarrador Goya ilustrado. Quintas inspirado inspirador, recreándo-se-nos. 12 Quadros en 12 fantasIas multiformes y mistificadoras de Quintas. Sazonadas con dosis de amor-humor, ironia-ira entreveradas con Ia sal y pimienta de los gênios reverdecidos.

Dr. David de Prado Diez

• Consultor internacional en creatividad. Creador. Poeta visual. Escultor y diseñador. CrItico de arte.

• Director del Instituto Avanzado de Creatividad Aplicada Total, y de Creacción Integral e Innovación SL.

• Promotor de Encuentros Creadores y del Master de Creatividad e Innovación , dentro del proyecto Ciudades y Ciudadania Creadoras.

• Autor de 30 libros de creatividad, innovación y desarrollo psicoeducativo Professor na Universidade de Santiago de Compostela.

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